Panorama climático da Howden Re no Brasil e na América do Sul: a variabilidade climática se acentua à medida que o Brasil entra em 2026
A Howden Re Brasil, em parceria com a MeteoIA, divulgou seu 7° Relatório Climático, que apresenta uma visão integrada de como o Brasil e a América do Sul encerraram 2025 e o que está previsto para o verão de 2026. O quadro que se desenha é de uma variabilidade acentuada, em vez de um estresse uniforme. Uma La Niña fraca, temperaturas globais constantemente altas e teleconexões climáticas interativas se combinaram para produzir padrões de precipitação e temperatura fortemente contrastantes entre as regiões.
“Entre setembro e dezembro de 2025, os índices pluviométricos acima da média no Sul e em partes da Amazônia contrastaram com os déficits persistentes no Sudeste, Centro-Oeste e interior do Nordeste”, afirmou Antônio Jorge da Mota Rodrigues, Head de Treaty da Howden Re Brasil. “Esses desequilíbrios intensificaram as condições de seca, limitaram a recuperação dos reservatórios e contribuíram para um aumento acentuado nas áreas de queimadas, particularmente no Cerrado e na Caatinga. Ao mesmo tempo, a frequência de eventos extremos aumentou, expondo as infraestruturas, a agricultura e os sistemas energéticos a pressões climáticas sobrepostas.”
Da transição sazonal ao estresse estrutural
A transição da primavera destacou a rapidez com que as condições podem mudar. As condições neutras do ENSO deram lugar a um fraco La Niña, remodelando a circulação atmosférica e provocando uma elevada variabilidade espacial nas precipitações. O sul do Brasil registrou episódios repetidos de precipitação acima da média, enquanto grande parte do Centro-Oeste e Sudeste viu as chuvas permanecerem dentro ou abaixo das normas climáticas até o início da estação chuvosa.
Os padrões de temperatura foram também irregulares. O início da primavera trouxe condições mais amenas em muitas regiões, mas em dezembro o aquecimento intensificou-se, com temperaturas máximas acima da média em grande parte do sul, sudeste e centro-oeste. Esta combinação de chuvas tardias e aumento do calor aumentou a demanda por evaporação, reforçando o estresse hídrico em bacias já vulneráveis.
Extremos se agravam em cidades, campos e ecossistemas
O calor extremo confirmou 2025 como um dos anos mais quentes já registrados no Brasil, com temperaturas repetidas acima de 38 °C, novos recordes de calor urbano e fortes oscilações térmicas associadas a frentes frias. Essas condições, combinadas com uma seca prolongada, levaram a um recorde de 684.000 km² de área queimada, principalmente no Cerrado e na Caatinga. Ao mesmo tempo, uma sucessão de tempestades severas, granizo, tornados e ciclones extratropicais entre setembro e dezembro causou perturbações generalizadas nas redes de energia, infraestrutura e agricultura, destacando a crescente exposição do Brasil a eventos climáticos de curta duração e alto impacto.
Agricultura sob pressão
O setor agrícola brasileiro enfrentou riscos climáticos crescentes no final de 2025, com interrupções no plantio, danos às culturas e maior exposição para a safra de milho fora de época de 2026 em várias regiões. O relatório destaca que os rendimentos agora são menos influenciados pelas médias sazonais e mais pelo momento das chuvas e pelos extremos climáticos, tornando o monitoramento contínuo do clima e a gestão adaptativa essenciais para a resiliência.
Perspectivas para o primeiro trimestre de 2026: contrastes persistentes
Olhando para o futuro, espera-se que o verão de 2026 mantenha fortes contrastes regionais. As previsões apontam para precipitações abaixo da média e temperaturas acima da média em grande parte do Nordeste, com limites contínuos na reposição hídrica no Sudeste e Centro-Oeste. Em contrapartida, o Norte provavelmente concentrará volumes de precipitação mais elevados, enquanto o Sul poderá alternar entre episódios de chuva e calor.
Esses sinais sugerem uma pressão contínua sobre os recursos hídricos, a agricultura e os sistemas energéticos, particularmente em regiões que já enfrentam déficits hídricos no início do novo ano. O relatório enfatiza que a incerteza permanece elevada, moldada pela interação entre o ENSO, a Oscilação Antártica e as condições oceânicas tropicais, reforçando o valor do planejamento de riscos baseado em cenários.
Antônio Jorge da Mota Rodrigues, conclui: “O risco climático do Brasil não é mais moldado por eventos isolados, mas pela combinação de calor, seca, incêndios e tempestades severas que ocorrem em rápida sucessão. Esse ambiente exige que as seguradoras e os setores expostos a riscos vão além da avaliação reativa e adotem uma inteligência climática contínua e proativa, na qual o monitoramento baseado em dados e o planejamento de resiliência são essenciais para gerenciar os riscos físicos e a exposição econômica à medida que a volatilidade se intensifica.”
