Relatório

Inundações, geadas e variações de temperatura remodelam as perspectivas de risco no último relatório climático da Howden Re para o Brasil

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A Howden Re Brasil lançou a quinta edição do seu relatório Panorama climático no Brasil e no mundo, em colaboração com a empresa de análise climática MeteoIA. O relatório fornece uma análise aprofundada da atividade meteorológica no Brasil e no mundo de abril a junho de 2025, destacando as perturbações regionais e os riscos emergentes. Ele também inclui uma previsão climática que antecede a COP30, que ocorrerá em novembro de 2025 na cidade de Belém..

O relatório deste trimestre enfatiza a intensificação da segurabilidade climática no Brasil, onde a sobreposição de extremos, desde chuvas históricas até geadas recordes, está pressionando a infraestrutura, a agricultura e os sistemas de seguro do país.

"Enquanto o Brasil se prepara para sediar a COP30, a convergência de riscos ambientais, sociais e econômicos é inegável", disse Antônio Jorge da Mota Rodrigues, Head da Howden Re Brasil. "O resseguro deve desempenhar um papel vital no desenvolvimento de soluções que vão além da indenização. Em colaboração com o setor mais amplo, o setor público e o setor privado, devemos identificar soluções que antecipem o risco, distribuam a exposição de forma mais equitativa e, em última análise, fortaleçam a resiliência. Na Howden Re, estamos preparados para liderar discussões sobre como podemos apoiar os mais afetados por essas variações climáticas, desenvolvendo ferramentas analíticas hoje para proteger o nosso futuro."

A volatilidade climática novamente perturba a infraestrutura e a agricultura

Abril: chuvas batem recordes
O mês de abril de 2025 trouxe chuvas intensas para o Sudeste e o Centro-Oeste. Teresópolis (RJ) registrou quase 700 mm de chuva, mais de seis vezes o normal mensal, enquanto partes de Mato Grosso do Sul e São Paulo mais do que dobraram suas médias. Essas chuvas foram causadas pela interação de frentes frias, cavados do Atlântico e sistemas semi-estacionários de alta pressão, que intensificaram a instabilidade em terrenos montanhosos.

Maio: eventos climáticos no Rio Grande do Sul lembram as enchentes de 2024
Um ano após as graves enchentes no Rio Grande do Sul, que foram o evento climático mais caro do Brasil, o estado passou por uma nova onda de inundações no início de maio. Cidades como Cachoeira do Sul e Santa Maria registraram até 225 mm de chuva em um dia, desalojando famílias e danificando a infraestrutura, apesar de os fundos federais de recuperação já ultrapassarem R$ 100 bilhões. O estado também sofreu com ondas de frio polar, com queda de neve em Santa Catarina e o primeiro evento de friagem do ano atingindo a bacia amazônica.

Junho: onda de frio atinge as lavouras 
No final de junho, um poderoso ciclone extratropical trouxe mais de 240 mm de chuva para o Rio Grande do Sul em questão de dias. Isso foi rapidamente seguido por uma massa de ar polar severa, que elevou as temperaturas a -8°C em Urupema (SC) e provocou geadas generalizadas nas principais regiões de milho, trigo e café. O risco de danos causados pelo frio agora é elevado para as lavouras do Paraná, São Paulo e Minas Gerais.
 

Perspectiva para o inverno de 2025: mais quente, mais seco e potencialmente mais disruptivo

O inverno brasileiro (junho a agosto) provavelmente será moldado pelas condições neutras do El Niño-Oscilação Sul (ENSO) e pela continuidade da Oscilação Antártica (AAO) positiva, de acordo com os modelos da MeteoIA. Essa combinação favorece:

  • Chuvas abaixo da média no Sul e Sudeste, desafiando os reservatórios de água e a geração hidrelétrica.
  • Temperaturas acima da média em todo o país, com possíveis ondas de calor no final da estação.
  • Maior risco agrícola em estados como Paraná, Mato Grosso e Goiás, onde o estresse da umidade do solo e as geadas ameaçam a produtividade.

Um mercado de resseguros em transição

O mercado de resseguros do Brasil está passando por uma transição crítica, de reativo para antecipatório. Novos instrumentos - como o seguro paramétrico para ondas de calor, já testado nas principais cidades, e o mapeamento de riscos agrícolas específicos da região - estão ajudando o setor a se adaptar. O relatório do segundo trimestre inclui um mapa de risco composto para as colheitas de milho de segunda safra, revelando zonas de risco muito alto em Mato Grosso, Goiás e sudoeste do Paraná.

Com a Taxonomia Sustentável Brasileira quase sendo publicada e a COP30 no horizonte, o relatório destaca como as estruturas financeiras e a análise climática estão se alinhando para apoiar a resiliência em escala.

"A Taxonomia Sustentável Brasileira, ao incorporar critérios focados na adaptação climática, torna-se um instrumento catalisador para investimentos que consideram os impactos físicos e financeiros dos riscos climáticos iminentes", acrescentou Antônio Jorge da Mota Rodrigues. "A adaptabilidade e a resiliência devem estar no centro de nossos sistemas financeiros daqui para frente."